segunda-feira, 1 de novembro de 2010

FIEIS DEFUNTOS OU FINADOS

Inicio esta breve reflexão que me proponho partilhar convosco, fazendo referência aos três últimos desejos de um homem que marcou a Antiguidade, Alexandre Magno.

À beira da morte, Alexandre Magno (356-323 a.C.) convocou os seus generais e transmitiu-lhes os seus três últimos desejos:

* Primeiro, quero que o meu caixão seja transportado pelos melhores dos médicos.

* Segundo, quero que sejam espalhados pelo caminho, até ao túmulo, os meus tesouros conquistados. Prata, ouro, pedras preciosas…

* Terceiro, que as minhas mãos sejam deixadas a balançar no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com os desejos insólitos daquele que conquistara praticamente todo o mundo então conhecido, perguntou qual a razão de ser daqueles desejos. Alexandre explicou:

- Quero que os mais eminentes médicos carreguem o meu caixão para mostrar que eles não têm poder de curar perante a morte;

- Quero que o chão seja coberto com os meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais, por mais valiosos que sejam, aqui conquistados, aqui ficam;

- Quero que as minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.”


Somos hoje confrontados com a realidade da morte.
Como esta nos levanta tantas interrogações!
Como a morte angustia tanta gente!
Como pensar na morte mete medo a muitas pessoas!

"Aqueles que mais temem e se angustiam diante da morte são aqueles que jamais viveram verdadeiramente" – afirmou Charles de Foucauld.

"Na verdade, quem ensinar os homens a morrer, ensiná-los-á a viver" – disse Montaigne.

Neste momento, quero dizer, com mais ou menos mágoa, àqueles que já deixámos de ver neste mundo dos vivos: "Amo-te! O mesmo é dizer: Tu não morrerás!" – como disse Marcel.


Só Jesus Cristo, o Deus-Amor feito homem, é resposta ao drama da morte. Jesus Cristo foi e é esta Palavra maravilhosa de Deus a cada homem: Amo-te! O mesmo é dizer: Tu não morrerás (Marcel). O Amor é a Palavra poderosa de Deus que vence a morte!

Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, passou pela realidade da morte. Uma vida feita dom, uma existência com o selo do amor e do serviço gratuitos aos irmãos, parecia terminar num fracasso total! Mas Ele triunfou sobre a mesma e agora vive para sempre. A última palavra estava reservada ao Amor.

Nós, incorporados/enxertados em Cristo Vivo, pelo baptismo, também, após uma vida com o selo do amor e do serviço gratuitos aos irmãos, haveremos de triunfar sobre a morte.

Quem vive marcado pela esperança da Ressurreição, enraizada no Amor de Deus, testemunha a mesma nesta vida terrena. Estamos neste mundo, vivemos neste mundo, somos cidadãos deste mundo, mas concidadãos de uma nova Pátria que se encontra nos Céus! A marca do Amor que o Criador deixou bem gravada nos nossos corações diz-nos que somos chamados à comunhão plena com o Criador – Deus de Amor, Deus da Vida.

Como entender, então, que os bens materiais sejam o objectivo principal de tantas pessoas?
Como entender que muitas vezes não se olhe a meios para atingir os fins? Se for necessário prejudicar, explorar e espezinhar o outro para conseguir o que se pretende, faz-se!

Se for necessário prejudicar a família, deixar os seus membros mais frágeis entregues a si próprios, faz-se!

"No momento da morte, o que nos dará contentamento será o bem que se fez, e todas as outras coisas não darão senão angústia" – afirmou S. João Bosco.

Porquê tanta ganância, tanta crítica maldosa e destrutiva, tanta agressividade e violência, tanta falta de amor quando a morte será o grande teste da nossa existência: agora só conta o Amor que tivermos vivido e o bem que tivermos praticado!

A melhor homenagem que podemos prestar aos nossos entes queridos que já partiram, a mais bela e agradável oração que podemos elevar até ao Deus de Amor é a nossa vida voltada e centrada em Jesus Cristo: Ele é o único caminho que conduz a uma vida mais plena, a uma esperança fundada de que a vida vale a pena sempre que seguimos o caminho do Amor.

Termino com uma citação de Guerra Junqueiro: "o que custa é viver, não é morrer."

Hélder Gonçalves

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