terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Estrela de Natal

As estrelas sempre foram guias confiáveis do homem na sua trajectória pelo mundo. Durante séculos elas foram a segurança do homem no seu caminho na Terra. Os homens passaram pelos caminhos escuros da noite e durante milhares de anos as estrelas mostraram-lhes o caminho. Viajantes e navegantes, enquanto ficaram com os olhos fixos nas estrelas, foram conduzidos com firmeza e segurança. O homem foi capaz de seguir um caminho seguro, porque, num certo sentido, ele fez uma aliança com uma realidade maior.

Hoje sabemos que as estrelas não são eternas. Não se pode dizer que elas têm um caminho para o ser humano. Estrelas são oxigénio, gases, pó, átomos, pedras, fogo. Provavelmente explodirão qualquer dia e sobrará somente um buraco negro. Durante o dia o sol brilha tanto que não é possível ver as estrelas. Isso não quer dizer que elas não estão ali, só que os nossos olhos não tem condições de vê-las. E hoje em dia nas cidades produzimos tantas outras luzes que à noite também não vemos mais nada. Será que isso quer dizer que as estrelas não são mais confiáveis, e que terminaram as histórias das estrelas?

A estrela de Belém de outrora conduziu os sábios e todos os que procuravam com toda a sinceridade a história mais deslumbrante que conhecemos até agora. A história de uma mulher, jovem e muito graciosa, a mais bela de toda a terra, de uma criancinha que sustenta a fé, a esperança e o amor de toda humanidade, dos pastores do campo, dos anjos e seus cânticos, dos reis e outros. É entoado, então, o cântico mais bonito de todos os tempos, e quando os homens o cantam, até os olhos de Deus se enchem de lágrimas: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados.

Queria que a estrela da noite de Natal brilhasse para todo o mundo: para os pobres, para os doentes, para os que se sentem sós, para os idosos, para aqueles que vivem na insegurança, para os pais preocupados com os seus filhos, para aqueles que estão sempre a viajar pelas estradas da vida sem nunca encontrarem uma casa, a sua casa.

A estrela de Belém hoje é invisível, mas ela mostrou uma nova luz, a verdadeira luz, Jesus que nasceu em Belém. Ali a estrela desapareceu porque uma outra luz se sobrepôs à sua, a luz de Jesus Cristo; ali a sua missão terminou, mostrando a verdadeira luz. Na noite de Natal recebemos aquele que diz que é "a luz do mundo". Desde aquela noite, Jesus é a bússola de todos os navegantes do mundo de todos os tempos. Ele brilha sobre todos os tempos e distâncias, sobre a vida e a morte.

Quando permitimos que esta estrela nos guie, temos consciência de que a terra é o caminho temporário que nos leva à morada definitiva da luz divina. Sabemos, então, que nunca estamos sós como parece às vezes, sabemos que os nossos falecidos não estão tão longe. Esta luz mostra-nos que a vontade de Deus para nos salvar e a luz da sua misericórdia são o caminho que nos mostram a pátria onde um dia estaremos juntos para sempre no amor. A estrela leva-nos até ao fundamento da nossa fé.

A criança que nasceu na noite de Natal é Deus connosco que fez morada entre nós. A verdadeira alegria do Natal dos cristãos é a consciência de que cada opção a favor ou contra Deus, a opção entre o bem e o mal, entre a reconciliação e o ódio, a vida e a morte é a nossa participação e a nossa missão e responsabilidade como pequenas estrelinhas, que mostram hoje o caminho do amor, da fraternidade e da solidariedade rumo a Deus.

HÉLDER GONÇALVES

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