domingo, 2 de dezembro de 2012

PASTORAL DOS SECTORES - Liturgia


A  Palavra  de  Deus  dá  espírito  à  liturgia

A  Liturgia  é  o  lugar  privilegiado  do  anúncio  da  Palavra de  Deus  e  o  contexto  mais  indicado  para  dar  à  sua  proclamação  toda  a  sua  força.  A  Liturgia  une  a  escuta  pessoal  da  Palavra  com  a  dimensão  eclesial.


LUGAR  PRIVILEGIADO

  a  liturgia  une  o  sinal  ao  facto,    que,  com  o  próprio  acto,
anuncia  e  opera  a  salvação  que  é  proclamada.  Na  liturgia  a  Palavra  Sagrada,  na  actualidade  do  mistério  da  salvação.

A  Palavra  de  Deus  é  recebida  pela  Igreja  e  na  Igreja.  Por  meio  dela,  Deus  comunica  a  Sua  Palavra  permanente  a  nós  e  por  nós,  tornando-a  presente  e  eficaz.

O  Evangelho,  portanto,  deve  ser  a  fonte  da  pregação,  e  a  assembleia  deve  deixar-se  converter  pela  Palavra,  a  fim  de  poder  anunciá-la  com  autoridade.

A  Palavra  é  tanto  mais  eficaz  quanto  mais  Cristo  está  presente  no  acto  da  sua  proclamação;  quanto  mais  o  conteúdo  da  mensagem  implicar  a  sua  acção  salvífica;  quanto  mais  estiver  empenhada  estiver  a  Igreja.  Ora,  em  toda  a  proclamação  autêntica  da  Palavra,  encontram-se  mais  ou  menos  presentes  estes
elementos.  Se eles  vierem  a  falar (se,  por  exemplo,  não  é  a Igreja  que  pronuncia  a  Palavra),  estamos  diante  de  uma  catequese.


PROCLAMAÇÃO  EFICAZ

Cada  um  destes  elementos  chega  à  sua  plenitude  somente  na  celebração  litúrgica,  principalmente  na  Eucaristia.

A  presença  de  Cristo  chega  à  sua  máxima  intensidade  na  assembleia  dos  fieis  reunidos  em  torno  do  altar.  Nela,  a  Palavra  é  ligada  ao  rito,  que  é  ‘acção  Cristo’,  e  reencontro  a  sua  força  original  daquela  proclamação  que  salva.

Assim  o  rito,  em  intima  relação  com  a  Palavra  inspirada,  proclama,  através  de  símbolos,  aquilo  que  a  Bíblia  exprime  com  a  Palavra  sonora.  Da  união  dos  dois  meios  de  expressão  surge  uma  proclamação  única,  de  particular  efeito  pedagógico.


A  PREGAÇÃO  DA  PALAVRA

A  própria  liturgia  transforma-se  em  pregação  da  Palavra  de  Deus.  Aqui,  a Palavra  adquire  a  máxima  intensidade  no  seu  significado  e  na  comunicação  na  acção  salvífica  de  Deus.  Aqui  a  assembleia  encontra  o  modo  mais  eloquente,  chegando  a  exigir  uma  resposta  à  proposta  divina.

A  homilia  tem  a  função  de  excitar  a  fé  dos  presentes,  o  significado  dos  vários  elementos  litúrgicos  também  em  relação  à  sua  situação,  para  que  o  encontro  dialogal  com  Deus  se  torne  verdadeiramente  consciente  para  todos  e  cada  um.


FUNÇÕES  DA  HOMILIA

Fornecer  aquele  mínimo  de  informações  exegéticas  necessárias  para  que  o Texto  bíblico  e,  às  vezes,  o  texto  de  orações,  sejam  compreendidos  no  seu  justo  significado;

Expressar  a  mensagem  no  seu  sentido  histórico,  passado  e  actual,  favorecendo  uma  tomada  de  consciência  da  situação   para  que  cada  um  se  reconheça  diante  de  Deus  e  se  disponha  a  escutá-lo  e  a  dar-lhe  uma  resposta  pessoal;

Fazer  descobrir,  em  todo  o  texto  bíblico,  e  nos  sinais  sacramentais,  o  significado  profundo  em  relação  ao  acontecimento  central  da  salvação,  para  que  este  seja,  aqui  e  agora,  anuncio  desta  salvação  de  Deus  proposta  a  esta  assembleia;

Aprofundar  e  traduzir  a  mensagem  revelada,  a  fim  de  que  o  essencial  da  revelação  seja  anunciado  à  assembleia,  de  maneira  a  ser  compreendida  por  aquilo  que  ele  é,  sem  equívocos;

Ser  profética,  isto  é,  expressar  um  juízo  sobre  o  mundo  que  morre  ou  deve  morrer,  e  o  anuncio  de  um  mundo  que  nasce  ou  deve  nascer,  segundo  o  desígnio  de  Deus;

Testemunhar  o  Cristo  pela  afirmação  da  fé,  a  expectativa  da  esperança  e  as  iniciativas  de  caridade  que  devem  encarnar-se  nas  experiências  pessoais  e  nos  acontecimentos  eclesiais;

Sem  ser  moralizante,  a  homilia  explicita  uma  Palavra  de  exortação  para  a  edificação  comum  dos  fieis.


O  ACOLHIMENTO  DA  PALAVRA

Como  a  chuva  e  a  neve  descem  dos  Céus  e  a  ele  não  retornam  sem  haver Regado  a  terra  e  sem  a  ter  fecundado  e  feito  germinar,  para  que  ela  dê  a semente  ao  semeador  e  o  pão  que  é  comido,  assim  também  a  palavra  que  sai  da  minha  boca  não  retorna  sem  resultado,  sem  ter  feito  o  que  eu  queria  e  levado  a  efeito  a  sua  missão “.  (Is 55, 10-11).

Para  que  este  desígnio  de  Deus  se  realize  em  plenitude,  é  necessário  que  esta  Palavra  seja  acolhida  na  obediência  da  fé (Rm 1,16).  A  partir  de  então  o  cristão  torna-se  testemunha  dessa  Palavra  (Act 4,20)  e  a  sua  vida  se  torne  em  acção  de  graças  e  palavra  de  gratidão.

É  a  escuta  da  Palavra  que  faz  nascer  a  fé.  A  Igreja  não  nos  legou  um  livro,  mas  a  Palavra.  Por  isso,  é  verdade  que  a  salvação  não  requer,  pura  e  simplesmente,  a  leitura  da  Bíblia,  mas  sim  que  sejam  ao  menos  ouvidas  as  realidades  da  salvação  tais  como  a  Igreja  as  proclama.

Se  a  leitura  pessoal  da  Bíblia  é  importante,  a  escuta  da  Palavra  é  indispensável  para  que  haja  um  encontro  directo  com  o  Senhor,  realmente  presente  na  Sua  Palavra  proclamada.

É  preciso  efectivar  a  criação  de  um  clima  de  escuta  da  Palavra,  numa  atitude  de  oração  e  de  espera.  A  insistência  sobre  a  eficácia  da  Palavra  divina  não  diminui  a  necessidade  de  disposições  objectivas.

Eficácia  não  significa  acção  automática.  Ele  está  ligada  à  transformação  que  a  Palavra  opera  naquele  que  a  acolhe.  Mas  a  transformação  é  proporcional  às  disposições.

O  amor  de  Deus  toma  a  iniciativa,  mas  não  força;  é  a  fé  que  acolhe  o  Dom  oferecido.  É  a  Palavra  que  abre  a  alma  e  a  estimula  a  acolher  o  Senhor.             Isto  supõe  uma  disposição  prática  e  inicial,  que  assim  poderia  ser  resumida;  na  liturgia  é  Deus  quem  fala,  e  é  a  nós  que  Ele  se  dirige,  hoje.  Quem  fala  não  é  Isaías,  um  evangelista,  ou  Paulo …  É  o  próprio  Deus.


FÉ:  DISPOSIÇÃO  FUNDAMENTAL

Esta  fé  é  a  disposição  fundamental,  mas  não  a  única.  O  contacto  com  a Palavra  deve  pôr  em  movimento  todo  o  dinamismo  espiritual,  sob  o  influxo  do  Espírito  Santo.  Na  realidade  não  basta  o  nosso  esforço  no  Espírito  Santo,  que  inspirou  as  Escrituras,  está  em  acção  no  nosso  intimo,  como  vimos,  para  que  possamos  acolher  o  mistério.


A  PALAVRA

É  revelação:  a  ela  se  adere  com  a  fé  (2Tm 3,15)

É  promessa:  a  ela  se  adere  com  esperança.

É  regra  de  vida:  a  ela  se  adere  com  amor.

É  Dom  no  qual  Deus  se  oferece  livremente:  acolhendo-o,  entra-se  em
comunhão  com  Ele.

Convém  acolher  a  Palavra “com  alegria  do  Espírito” (Ts 1,6),  “com  docilidade” (Tg 1,21);  ela  deve  “habitar  em  nós”,  “cumpre  no  nosso  meio  o  seu  curso” (2Ts 3,1).  Noutros  termos,  é  preciso  acolher  a  Palavra  de  modo  a  deixar-nos  modelar  por  ela,  a  abandonar-nos  à  sua  força  Divina.

Santo  Efrém  diz,  através  de  sugestivas  comparações,  que  a  Palavra  continua  a  frutificar:  “Dos  campos  vem  a  bênção  da  messe,  da  vinha  frutos  saborosos,  e  da  Sagrada  Escritura  o  ensinamento  vivificante”.

O  campo  e  a  vinha  só  dão  frutos  num  tempo  restrito,  determinado;  mas  a  Sagrada  Escritura  oferece   ensinamentos  vivificantes  toda  as  vezes  que  é  lida.

Campos  e  vinhas  cansam  e  não  dão  duas  colheitas  por  ano;  mas  da  Sagrada  Escritura  pode-se  colher  uvas  todos  os  dias,  sem  que  venham  a  faltar  às  uvas  da  esperança  que  lhe  são  Inatas.

Vamo-nos  aproximar  deste  campo  e  saboreemos  os  produtos  dos  seus  sulcos  que  produzem  a  vida.  Dele  colhamos  espigas  de  vida:  as  palavras  de  Nosso  Senhor  Jesus  Cristo”.

Exame de "Pastoral dos Sectores (Liturgia)" 
de Hélder Gonçalves a 17.01.2006
Escola Superior de Teologia e Ciências Humanas de Viana do Castelo
Professor: Padre José Correia Vilar
Avaliação Final: 15 Valores

HÉLDER GONÇALVES

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