sábado, 3 de novembro de 2012

KHAJURAHO - Índia

O que é que levou aos nativos de Khajuraho a construírem tantos templos num lugar tão afastado?

Porquê tantas cenas eróticas nos seus templos?


Até hoje, é um quebra cabeças para os historiadores conseguirem tentar explicar (e que não conseguem) como, há mil anos, se escolheu uma cidade tão insignificante como Khajuraho para a construção destes magníficos templos, longe das rotas comerciais.

Dos 85 templos, só 22 encontra-se de pé, e estão em estado razoável de conservação, espalhados numa área de cerca de 21 km² ao qual despertam a curiosidade de milhares de visitantes do mundo inteiro pelas suas cenas eróticas.
Estes templos foram construidos sob a dinastia Hindu Rajput dos Chandelas que durou cerca de cinco séculos os quais seriam seguidores do culto tântrico.
Nenhum dos templos de Khajuraho contem temas relacionados com a sexualidade nas suas áreas interiores, estando a representação erótica presente apenas através das esculturas nas paredes exteriores de alguns templos. A razão para esta organização dos elementos eróticos estará ligada ao facto de que, o visitante crente que pretendia estar perto da divindade, deveria deixar os seus desejos sexuais fora do templo. Seria assim experimentada por parte do crente, uma pureza interior inerente à divindade com o qual se pretenderia manter contacto, mantendo igualmente a pureza de atman (ou da alma) para que não houvesse lugar a um estado de desejo ou tendências grosseiras, medo do destino, etc.

São um exemplo da ligação entre a religião e o erotismo, sendo excelentes demonstrações dos estilos arquitectónicos da Índia que ganharam popularidade devido à representação lascíva de alguns aspectos da forma de vida tradicional durante a época medieval naquela região. Viriam a ser redescobertos somente durante o século XX tendo sofrido bastante com o crescimento das selvas circundantes que causaram prejuízos a alguns dos monumentos. 

O declínio económico e financeiro dos Chandelas Rajputs é tido como a razão principal para o abandono do local como centro de culto e vida social, sendo por isso a principal causa da deterioração provocada pela acção dos elementos da natureza aos monumentos.As esculturas foram feitas entre 950 e 1050 da nossa era, dotado de uma área central protegida por uma muralha com oito portões, cada um dos quais com duas palmeiras de ouro.
Todos quantos lá se deslocam ficam surpreendidos com a quantidade de esculturas e a beleza das (donzelas celestiais), que exibem o seu corpo e perante as mithumas (figuras que praticam sexo em todas as formas e posições).

Existem muitas hipóteses sobre a espantosa profusão de esculturas eróticas nestes templos. uma das teorias é a de que estas representações eram uma espécie de Kamasutra para os adolescentes da costa brâmane que eram educados no templo.
Outra defende que este tipo de cenas servia para proteger os templos dos raios, visto que agradavam a Indra, o deus da chuva.
Em todo o caso, as esculturas de Khajuraho são um exemplo irrepetível da arte tântrica, que no momento da sua criação ninguém associava à pornografia.
Tratava-se antes de uma celebração da vida através da união criativa entre Xiva e Shakti.

Alguns templos são dedicados ao panteão Jain sendo os restantes dedicados a divindades Hindus - destacando a Santissima Trindade Brahma, Vishnu e Shiva, e a várias outras formas Devas.

O conjunto de monumentos foi classificado pela UNESCO como Património Mundial.



HÉLDER GONÇALVES


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