quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Experiência de Deus

A nossa experiência de Deus é dupla:

a) Presença transcendente e imanente de Deus Criador.

b) Presença misericordiosa, cujo amor total nos estabelece num pé de igualdade com Deus: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15,15), pois o amor cria igualdade: e o amor de Deus, sem limites, foi para isso até à morte e à Eucaristia.

Esta experiência de Deus é mais discreta que a experiência de Deus Criador, pois o amor de Deus esconde-se durante a peregrinação de fé em que Ele nos acompanha.

Ele está junto de nós como uma fonte escondida.
Se Ele se revelasse nós já não seríamos desta terra: “ninguém pode ver a Deus sem morrer”, diz a Bíblia.

A experiência de Deus Criador, podemos de alguma maneira aceder a ela, através dos nossos recursos humanos, olhando para as coisas criadas; mas o Amor Salvador é o fruto de um dom gratuito.

Nós temos de realizar em nós a verdade do Amor Salvador.

- Isto supõe a ordem da nossa vida, a sua rectidão, pois os nossos pecados, obscurecem a experiência do Amor misericordioso que nos salva, donde a insistência de Cristo sobre a importância de realizar os seus mandamentos.

- Esta verdade realiza-se pela caridade, pelo serviço dos outros.

- Realiza-se nos actos de culto, onde Cristo constrói e alimenta o Seu Corpo que é a Igreja e o faz frutificar.

- Esta experiência de Deus realiza-se na experiência da fé e quem faz essa experiência aproxima-se da luz.

Deus é tudo.
Ele é suficiente e o único necessário.
Mas Ele criou-nos homens e toma-nos a sério… até à loucura.

O nascimento humano e a morte do Filho de Deus são a prova disso. Para o Homem, a resposta adequada às questões essenciais é Deus, mas, depois disso, é o Homem. Com efeito, nós somos apenas Homens.
É como Homem no belo quadro da natureza humana que Deus nos convida gratuitamente a sermos seus comensais.

O humanismo perdeu Deus e perdeu-se a si próprio pelo pecado.
É reencontrando Deus que o Homem se reencontrará, pois a sua identidade brota do próprio Deus, como Criador e como Salvador.
Ela brota do Amor Criador.

O Homem que nós somos apenas atinge Deus humanamente, nessa humanidade que é o nosso lugar, a nossa vida, a nossa medida.
Temos, portanto, de entrar em contacto com Deus como Homens, lenta e progressivamente e à medida de Deus, pois Deus diviniza-nos.
Diviniza-nos, mas segundo a nossa natureza humana.

Nós não somos chamados a ser um Super-Homem: um homem inchado, enfunado, com voltagem reforçada.

Somos divinizados na nossa pequenez e na nossa própria humildade, de acordo com a capacidade de amor que o Criador colocou em nós.

Nós somos divinizáveis, porque criados à imagem de Deus.
As nossas capacidades de conhecimento, de liberdade, a de amor, tornam-se capazes de aceder à imagem e semelhança de Deus pela graça divina.

HÉLDER GONÇALVES

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