quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cruz de Justino II


A Cruz de Justino II, um dos muitos tesouros que podem ser admirados no Vaticano, é um relicário no interior do qual se conserva, segundo a tradição, um fragmento de madeira da Santa Cruz em que Cristo foi crucificado.

Trata-se, portanto, como a Cruz de Caravaca e algumas outras, sobre as quais ninguém consegue determinar com certeza absoluta a autenticidade, de uma “lignum crucis”, que Justino II, imperador bizantino entre 565 e 578, sobrinho e sucessor de Justiniano, ofereceu ao papa na segunda metade do século VI, muito provavelmente em 568.

Decorado segundo os traços característicos da arte bizantina, o relicário é revestido por filigrana dourada e bordejado por uma franja onde brilham intensamente pedras preciosas.

A esplendorosa cruz é dominada, no centro, por um disco que representa o sol e os seus raios. Recorde-se que, segundo a liturgia oriental, Cristo é “o sol maior do que o sol”.

É no interior desse disco que está guardada a relíquia, apenas um dos fragmentos da Santa Cruz que Justino II ofereceu a algumas personalidades, como a Santa Radegunda, rainha dos francos e fundadora do Mosteiro de Santa Cruz, em Poitiers.

Sublinhe-se que, no mundo cristão, o culto das imagens santas começou apenas no século V e conheceu um grande impulso na segunda metade do século seguinte, sobretudo no Império Bizantino, por acção de Justino II.

HÉLDER GONÇALVES

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